domingo, 16 de novembro de 2008

Meu filho vai repetir o ano! E agora?



Nenhum resultado, seja ele bom ou mau, se dá do dia para a noite. Nada acontece inesperadamente quando o assunto é Educação. Educação é um processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano (definição: Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa).
A aprendizagem acontece como resultado deste processo de desenvolvimento. Porém para que a aprendizagem aconteça é de fundamental importância que haja um sincronismo entre aluno/professor/família. Esta parceria é importantíssima para o sucesso do processo de ensino e aprendizagem.

Muitos pais atravessam todo o ano letivo em total abstinência participativa. Não tomam conhecimento das reuniões escolares, não acompanham as Tarefas de casa, não controlam a freqüência, não se interessam pelo desempenho escolar do filho e muitos nem sequer lêem a agenda, que é o veículo de comunicação entre professor e pais.

Há aqueles alunos que diante da falta de atenção e interesse de seus pais, se sentem desmotivados não se dedicando como deveriam aos estudos, bem como há aqueles que por conviverem em lares problemáticos acabam refletindo nos estudos seus temores e conflitos emocionais. Também há alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem e necessitam de acompanhamento paralelo de outro profissional, dependendo da extensão da dificuldade.

Estas dificuldades acabam por estimular outro grave problema que assola a Educação do nosso país – a evasão escolar. O aluno, principalmente da rede pública de ensino, diante das dificuldades vivenciadas e do desinteresse de seus pais, acabam por abandonar a escola passando a perambular pela rua ficando à mercê das más influências.

Muitas escolas implantam Projetos para estimular a motivação de seus alunos e com isso suplantar a falta de interesse dos pais no acompanhamento do desempenho escolar do filho, propiciando que estes permaneçam no ambiente escolar.

A implantação das TICs no ambiente escolar vem agindo como estímulo à aprendizagem e à inibição da evasão escolar. Porém este é um assunto para outro artigo.

A parceria ideal é que a escola se empenhe em proporcionar uma educação de qualidade levando em conta a individualidade do aluno deixando para trás paradigmas da educação “tamanho único”. À família cabe estar em contato permanente com a escola, acompanhando de perto o desempenho do filho e auxiliando-o no sentido de superar dificuldades. Ao aluno cabe se empenhar com responsabilidade. Tudo isso deve acontecer no decorrer do período letivo e não somente no final do ano quando já não há tempo hábil para se tentar reverter a situação.

Porém, a realidade é muito diferente principalmente na rede pública. Conforme resultado do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) em 2007 a taxa de aprovação dos alunos de 1ª e 2ª séries da rede pública foi de 78,1% contra 96,5% das particulares e de 3ª e 4ª foi de 83,4% porcentagem similar tanto na pública quanto na particular.
Diante da evidência de uma reprovação há quem culpe o aluno. Este comportamento não exime de forma alguma a culpa de cada um dos envolvidos, muito pelo contrário. Como já mencionei acima, a parceria aluno/família/escola é fundamental para o sucesso da Educação.

Em razão de a preocupação ser arranjar um culpado e não se empenhar em contribuir para uma melhora na Educação, que temos hoje uma realidade de 40 milhões de adultos sem ter concluído a 4ª série.

Na ânsia de recuperar o tempo perdido e com isso evitar a reprovação, muitos pais resolvem colocar seus filhos em professores particulares, cortam todo e qualquer divertimento, cobram as lições de maneira repreensiva dando muito mais importância à aprovação “a qualquer jeito” do que à aprendizagem propriamente dita. Não se preocupam se o filho irá somar dúvidas no ano seguinte acabando por comprometer toda a qualidade do curso.

Fica aqui a “dica”, através deste texto, não para ser praticado neste final de ano, mas para colocar em prática no ano que se iniciará em breve. Pais sejam participativos desde o início do ano. Com esta atitude seu filho se sentirá motivado a desempenhar melhor seu papel de estudante, a escola se sentirá motivada a lhe participar toda e qualquer dificuldade apresentada pelo aluno bem como suas conquistas, e você, ao final do ano, não precisará procurar culpados para o fracasso do seu filho.

Termino aqui parafraseando Rubem Alves nesta belíssima apresentação disponibilizada pela minha amiga Miriam Salles


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4 comentários:

Soninha disse...

Querida Cybele, ainda demora para graduar-me em pedagogia, mas através dos estágios, contatos e diversas aprendizagens sempre vejo possibilidades,porém, o sujeito social é complexo! O estudamos, procuramos interagir com este, mas e o sofrimento com as experiências individuais? Por outro lado, tem o nível da nossa sensibilização como educador, que também não é fácil, o coração aperta, mas precisamos ser precisos e coerente para evitar que o outro sofra por causa de nós. Ainda tem a questão "mundo", precisamos deixar o aluno partir para que possa explorar os próprios horizontes... Só resta olhar a vida como ela é...
Um grrande abraço e gratidão por mais um espaço de expressão da cidadania, cultura e educação!
Sônia Maria da Cruz

Cybele Meyer disse...

Olá Soninha, tudo bem?

Belas e verdadeiras palavras. Este universo em que atuamos é realmente complexo porém muito gratificante. Não há nada mais encorajador do que vermos o resultado do nosso trabalho nas atitudes do outro.
Obrigada pelas suas palavras e pelo carinho sempre presente.
beijinhos

Cultura na Rede disse...

Olá Cybele!
Não poderia deixar de agradecer pela oportunidade que ofereces ao seu público leitor, maravilhas de textos e momentos de reflexão. Quanto as referências de Rubem Alves (sem comentários). Apenas confirmando aquilo que tanto vivenciamos!!! Sabemos que nas crianças, a capacidade criadora manifesta-se em todo seu fazer, de um modo solto, espontâneo e imaginativo, no brincar, no sonhar, no associar, no simbolizar.
Portanto é Necessário: reunir mecanismos com ações que visem o processo de ensino no contexto da escola, onde o fazer “Criando e vivenciando com as crianças,” torna-se mais prazeroso e permite um envolvimento no aprender aprendendo com novas possibilidades educacionais.
Um forte abraço de seu amigo
Luiz Napoleão Vieira

Cybele Meyer disse...

Olá Luiz, tudo bem?

Como sempre, seus comentários são muito enriquecedores.
Realmente o aprender se dá quando há significado, e nada mais significativo do que a parceria "vivenciar e criar". O professor que possibilita esta vivência faz do aprender um prazer.
Beijinhos e obrigada pelo carinho